AADV - Associação de Assistência aos Deficientes Visuais de Poços de Caldas - MG

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Pedagogia

Busca proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento educacional de nossos assistidos junto a rede regular de ensino.

Palavra do Técnico

Elizângela Leite da Silva - Pedagoga

O papel da Pedagogia

Você sabia? A preocupação em educar crianças com deficiências visuais começou em 1829, com uma escola residencial a Perkins School for the Blind, em Boston.

Em 1900, em Chicago, foi organizada a primeira classe para cegos em escola pública, seguida por uma classe para crianças com visão reduzida em 1908 na Inglaterra e em 1913 nos Estados Unidos.

Então meus amigos, vamos ver um pouco sobre como é trabalhar a pedagogia com deficientes visuais...

Na escola, o deficiente visual precisa da adaptação de materiais como calculadoras que falam, livros ampliados, gravadores, lâmpadas e reostatos e tempo extra para fazer suas lições.

Grande parte do conteúdo apresentado a uma criança deficiente visual é semelhante ou idêntico ao material apresentado a uma criança com visão. Isto acontece quando as crianças deficientes visuais passam a maior parte de seu tempo em classes comuns, entretanto elas precisam de um acompanhamento especial extra.

Devemos levar a criança a pensar. Para sermos bem sucedidos nessa tarefa importante devemos cuidar que o corpo e a mente cresçam em medidas iguais, que ambos sejam estimulados simultaneamente, desenvolvendo-se numa harmonia perfeita.

A criança cega precisa ser percebida como um ser inteiro, dona dos seus pensamentos, e construtora, ainda que em condições peculiares, do seu próprio conhecimento. Vê-la como um produto de treinamentos milagrosos é uma distorção que exige uma revisão urgente. Em meio a diversas propostas educacionais, surge o construtivismo . Ao tentar compreendê-lo, buscam-se novos rumos para que se ampliem as probabilidades de sucesso na alfabetização de crianças cegas.

O período de alfabetização suscita muito cuidado e impõe esmerado preparo aos professores. As dificuldades e os freqüentes fracassos dos educandos nessa fase escolar exigem uma mudança de atitude e a tentativa de outros caminhos.

A escola precisa dinamizar sua atuação, os educadores precisam acreditar no seu ofício, a criança precisa ser levada a descobrir o seu verdadeiro papel no processo ensino-aprendizagem. A educação, como elemento transformador, precisa provocar a participação e a interação entre escola, educadores e alunos.

Não é mais possível deixar uma criança cega à margem do seu próprio crescimento, fora do momento histórico em que vive. Ela tem de tomar consciência de si mesma, de suas reais possibilidades. Como qualquer outra criança, deverá perceber que constrói seu conhecimento, interpreta e reinterpreta a realidade que a rodeia, e cria e recria as coisas do seu mundo infantil.

Na alfabetização, a criança cega entrará em contato com um novo mundo de código de comunicação que a tornará apta a compreender e se expressar através do ler e do escrever, da mesma forma que antes só fazia através do ouvir e falar.

Podemos dizer que a alfabetização do aluno cego é diferente do aluno normal, porque cada um utiliza uma fonte de informações. No caso do cego, o tato informa primeiro as partes ou detalhes, para depois fornecer a idéia do todo: letra + (que se forma pela combinação dos pontos) sílaba + palavra = frase.

Assim, torna-se necessário inicialmente apresentar o material de escrita Braille à criança cega nomeando e explicando a finalidade de cada parte do material.

A habilidade de usar eficientemente os dedos, para a leitura em sistema Braille (o que significa que usará seu tato para ler pequenos pontos em relevo), pode ser desenvolvida com exercícios. De início implica em fazer as coisas com todo o corpo, depois com os braços, as mãos e os músculos grossos e finalmente, utilizar os músculos finos que fortalecem os dedos, tornando-se mais flexíveis e sensíveis.

Ao compararmos a motivação que os livros coloridos e figuras causam na criança normal à criança cega fica de certa forma, em desvantagem, pois o material Braille não é tão atraente ao tato, interferindo assim na motivação para a aprendizagem. Cabe destacar a importância da participação dos familiares no processo de alfabetização da criança cega, sendo que os mesmos deverão aprender a escrita Braille para que possa acompanhar em casa o conteúdo escolar.

Assim, a validade dessa discussão prende-se ao fato de que é necessário compreender o processo de aprendizagem de uma criança cega: apreendendo passo a passo suas descobertas, promovendo seu desenvolvimento como um indivíduo capaz de crescer e realizar-se a despeito da deficiência que carrega.

Mas o que vem a ser o papel da Pedagoga na AADV?

Sabemos que Pedagogia é a ciência ou disciplina cujo objetivo é a reflexão , ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo . A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga , paidós (criança) e agogé (condução).

Portanto, seria conduzir, orientar, impulsionar a criança a formar o seu conhecimento.

Mas formar o ser humano não é só formar para a sociedade e para o mercado. É formar para a felicidade. Isso significa desenvolver nesse ser também as suas potencialidades, os canais de utilização e de expressão artística, de desenvolvimento físico-corporal e a sociabilidade prazerosa.

Pensando desta forma a atuação pedagógica na AADV aprimora em sua conduta como forma de dar assistência as escolas, as familias e professores que se mostram atraídos pela educação especial no que se diz respeito a criança que apresenta algum tipo de deficiência visual; intervino e orientando-os para que possa haver o aprendizado da criança e sua inclusão no ambiente social e escolar.

Temos como objetivo a inclusão da criança deficiente visual em escolas regulares, portanto o papel da pedagoga na Associação é de suma importancia para concretização deste ideal.

"O nascimento do pensamento
é igual ao nascimento de uma criança:
tudo começa com um ato de amor.
Uma semente há de ser depositada no ventre vazio.
E a semente do pensamento é o sonho.
Por isso os educadores (e educadoras),
antes de serem especialistas em ferramentas do saber,
deviam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos."
                Rubem Alves

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