O
que é Deficiência Visual?
Elizângela Leite da Silva
- Pedagoga
A deficiência visual refere-se
a uma situação irreversível de diminuição
da resposta visual, em virtude de causas congênitas ou
hereditárias, mesmo após tratamento clínico
e/ou cirúrgico e uso de óculos convencionais.
Podemos classificá-la
em dois grupos:
Cegueira ou deficiência
visual total
Visão subnormal
ou baixa visão
No documento Política
Nacional de Educação Especial (MEC/1994, p.16)
encontramos a seguinte definição para Deficiência
Visual:
Deficiência Visual: é a
redução ou perda total da capacidade de ver com
o olho e após melhor correção óptica.
Manifesta-se como:
Cegueira: perda
da visão, em ambos os olhos de menos de 0,1 no olho
menor, e após correção, ou de um campo
visual não excedente de 20 graus, no maior meridiano
do melhor olho, mesmo com uso de lentes para correção.
Visão
Reduzida: acuidade visual entre 6/20 e 6/60, no melhor olho,
após correção máxima. (MINISTÉRIO
DA EDUCAÇÃO E CULTURA, 1994:14 – 16).
As definições da
deficiência visual são importantes para garantir
os direitos legais das pessoas que se definem nesta categoria.
O Ministério da Educação
e Cultura na Política Nacional de Educação
Especial (PNEE), define para fins educacionais, que:
Cegueira é a
perda total da visão ou resíduo mínimo
de visão, e que, no entanto leva o educando a utilizar-se
do Código do sistema Braille para ler e escrever além
de outros recursos didáticos e equipamentos especiais
para a sua educação.
Visão
reduzida para fins educacionais é quando o educando
possui um resíduo visual o qual permite a leitura de
tipos impressos a tinta (ampliados) e com uso de lentes especiais.(MEC,
POLITICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL/1994).
Para o educando
que possui um resíduo visual funcionalmente aproveitado
para as atividades de escrita e leitura em tinta, estes geralmente,
utilizarão o material ampliado.
E, para aqueles que não
possuírem tal resíduo visual, caracterizando-se
como os que possuem cegueira, utilizarão a simbologia
do Sistema Braille para a escrita e leitura.
Não são poucos
que, encaram a cegueira como uma condição limitadora,
ou mesmo incapacitadora. A cegueira é vista sob a "ótica
do medo". Mantendo-se distante, o indivíduo cego,
procura afastar o receio inconsciente da privação
da luz.
Segundo a OMS – Organização
Mundial da Saúde, cerca de 1 % da população
mundial apresenta algum grau de deficiência visual. Mais
de 90% encontram-se nos países em desenvolvimento. Nos
países desenvolvidos, a população com deficiência
visual é composta por 5% de crianças, enquanto
os idosos são 75% desse contingente. Em todos os casos,
deve ser realizada avaliação oftalmológica
para diagnósticos do processo e possível tratamento,
em caráter de urgência.
De maneira genérica, podemos
considerar que nos países em desenvolvimento as principais
causas são infecciosas, nutricionais, traumáticas
e causadas por doenças como: catarata e diabetes. Nos
países desenvolvidos são mais importantes as causas
genéticas e degenerativas. As causas podem ser divididas
também em: congênitas ou adquiridas.
Alguns sinais característicos
da presença da deficiência visual na criança
são desvios de um dos olhos, não seguimento visual
de objetos, não reconhecimento visual de familiares, baixo
aproveitamento escolar, atraso de desenvolvimento. No adulto,
pode ser o borramento súbito ou paulatino da visão.
Em ambos os casos, são vermelhidão, mancha branca
nos olhos, dor, lacrimejamento, flashes, retração
do campo de visão que pode provocar esbarrões e
tropeços em móveis.
Tanto a cegueira total quanto
a baixa visão pode afetar a pessoa em qualquer idade.
Bebês podem nascer sem visão e outras pessoas podem
tornar-se deficientes visuais em qualquer fase da vida. A perda
de visão pode ocorrer repentinamente de um acidente ou
doença súbita, ou tão gradativamente que
a pessoa atingida demore a tomar consciência do que está acontecendo.
Ela também ocorre independentemente de sexo, religião,
crenças, grupo étnico, raça, ancestrais,
educação, cultura, saúde, posição
social, condições de residência ou qualquer
outra condição específica.
A deficiência visual interfere
em habilidades e capacidades e afeta, não somente a vida
da pessoa que perdeu a visão, mas também dos membros
da família, amigos, colegas, professores, empregadores
e outros. Entretanto, com tratamento precoce, atendimento educacional
adequado, programas e serviços especializados, a perda
da visão não significará o fim da vida independente
e não ameaçará a vida plena e produtiva.
Fonte:
SILVA, Elizângela Leite:
Deficientes Visuais: "Crianças Especiais em Sala
de Aula", 2004.
