AADV - Associação de Assistência aos Deficientes Visuais de Poços de Caldas - MG

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Causas mais freqüentes da Deficiência Visual e limitações decorrentes

 

Gislene Rita do Prado Siqueira - Psicóloga

As causas mais freqüentes da deficiência visual são:

•  Questões hereditárias, incompatibilidade sangüínea (fator Rh);

•  Sífilis, toxoplasmose, herpes vaginal e rubéola;

•  Problemas durante o parto;

•  Sofrimento fetal;

•  Prematuridade;

•  Resultantes de doenças como: sarampo, caxumba, meningite, bem como por uso indiscriminado de medicamentos.

Problemas que podem afetar sua visão

1- RETINOPATIA DIABÉTICA

Atinge frequentemente as pessoas que são diabéticas, devido ao aumento de açúcar no sangue. Pode afetar várias partes do organismo, inclusive os olhos, e levar à cegueira por várias maneiras: formação de catarata, descolamento de retina, glaucoma ou hemorragia de fundo de olho.

2- DESCOLAMENTO DE RETINA*

É uma doença que pode ocorrer por traumatismo (batida), diabetes ou por alguma hemorragia na vista. Mas, na maioria das vezes, é decorrente do envelhecimento das pessoas. Os sintomas mais comuns são: visão turva, sensação de um véu passando de cima para baixo em torno do olho. (*Retina é a camada do olho que percebe a luz).

Ocorre quando a retina sensorial separa-se do epitélio pigmentar da retina. Os pacientes portadores de visão subnormal são aqueles que não puderam ser submetidos à intervenção cirúrgica. Tipos de descolamento:

•  Regmatogênico: é a forma mais comum. O epitélio pigmentar da retina, a retina sensorial e o vítreo são envolvidos em um complicado processo degenerativo, ocorrendo rasgaduras na retina (ou trações) com entrada de humor vítreo subretiniano e descolamento. A fotocoagulação com laser previne o descolamento. Comum em míopes e em pacientes afácicos.

•  Secundário: não há rasgadura. O fluído coroideo ou retiniano separa a retina. Comum em doenças vasculares e tumores. O tratamento visa estabelecer a causa e submeter o paciente à cirurgia.

•  Tradicional: bandas tradicionais do vítreo devidas à retinopatia da prematuridade (fibroplasia retrolental), inflamação, hemorragia (diabetes), presença de corpo estranho por trauma, perda vítrea ocorrida na cirurgia da catarata. O tratamento consiste na vitrectomia.

•  Congênita: retinoquisis juvenil é uma doença vítreo-retiniana ligada ao cromossomo X.

As atividades físicas podem ser restritas em definitivo pelo cirurgião (consultar).

•  Aumentar o nível de iluminação;

•  Os auxílios ópticos podem variar 2 ou 3 vezes nos primeiros 6 meses no pós-operatório;

•  A magnificação da imagem pode promover melhora na acuidade;

•  Se houver diplopia, podem ser tentados usos de prismas;

•  Filtros âmbar melhoram a qualidade visual.

3- CATARATA

É uma doença que dificulta a visão, pois a pupila (menina dos olhos) torna-se opaca e esbranquiçada (a pessoa passa a ver vultos como uma névoa). Atinge geralmente pessoas acima dos sessenta anos de idade. Antes disso uma pessoa pode ter catarata por várias causas, como: diabetes, glaucoma, acidentes (como batida no olho), trauma de crânio.

O uso de colírio não ajuda na cura da catarata. Na maioria das vezes, ela estaciona num ponto em que não é necessário cirurgia. A catarata congênita atinge crianças recém-nascidas, cujas mães tiveram alguma doença na gravidez, como rubéola, toxoplasmose ou sífilis.

3.1- CATARATA CONGÊNITA

O diagnóstico feito no primeiro dia de vida e o tratamento precoce evita a cegueira. Existem famílias inteiras de deficientes visuais por esta patologia. A repetição destes casos pode ser evitada com o aconselhamento genético.

3.2- CATARATA COM CONTRA-INDICAÇÃO CIRÚRGICA

Causas possíveis: risco anestésico, problemas cardiovasculares em geral, estado mental, problemas de coluna.

•  visão borrada;

•  baixo contraste;

•  ofuscamento;

•  fotofobia;

•  alteração na percepção de cores (enfraquecimento da tonalidade);

•  visão noturna melhor que a diurna;

•  perda da capacidade de leitura;

•  miopização;

•  pode não existir alteração no campo visual;

• não refere dificuldade de visão de objetos próximos;

• a luz solar provoca ofuscamento e borramento (midriáticos);

• iluminar diretamente os objetos com luz incandescente;

•  evitar luzes fluorescentes.

4- AMBLIOPIA

Ocorre quando a visão, especialmente das crianças, é baixa e insuficiente em um olho ou nos dois. Isso pode acontecer mesmo a vista estando aparentemente normal. A principal causa que leva à ambliopia é o ESTRABISMO. O diagnóstico é fácil e o tratamento é simples. O oftamologista mede separadamente a visão de cada olho e indica o uso de um tampão (oclusão) no olho bom, para forçar o olho mais fraco a enxergar mais.

Conforme o caso, pode ser necessário o uso de óculos. A ambliopia atinge quatro em cada cem crianças, sendo que a metade delas são estrábicas. Esse mal deve ser descoberto e tratado desde cedo, antes da idade escolar, quando a visão está se desenvolvendo.

5- GLAUCOMA

É uma doença causada pelo aumento da pressão dentro do olho. Geralmente seu desenvolvimento não apresenta sintoma e, quando a pessoa vem a sentir diminuição da visão ou do ocular, a doença já está instalada.

Atinge pessoas com idade acima de trinta e cinco anos e o diagnóstico se faz através da medição da pressão do olho por um instrumento adequado, num exame rápido e indolor. Quando o glaucoma é descoberto logo no início, o tratamento é eficaz e a doença é controlada com o uso de colírio recomendado pelo médico, impedindo a sua evolução até a cegueira.

5.1- GLAUCOMA CONGÊNITO

O "glaucoma congênito" é uma outra forma de glaucoma que atinge as crianças recém-nascidas.

O glaucoma compromete famílias que não tiveram orientação sobre a hereditariedade do problema. O mais triste é que se tivessem sido diagnosticados e tratados a tempo, não seriam cegos.

Preste atenção para os seguintes sinais:

•  Olhos grandes, azulados;

•  Lacrimejamento constante;

• Criança facilmente irritável, que não tolera claridade.

6- CONJUNTIVITE

É uma infecção nos olhos provocada por fatores externos (pó, fumaça, substâncias irritantes, vírus e bactérias), que se caracteriza por sensações de areia nos olhos, purgação (a pessoa amanhece com os olhos grudados), dificuldade de abrir os olhos na claridade, lacrimejamento e, as vezes pálpebras inchadas.

Deve-se tomar cuidado para evitar que se contamine o outro olho e as toalhas devem ser de uso individual e estarem limpas.

7- PTERÍGEO

É uma doença que surge nos olhos com o aparecimento de uma pele fina em cima do branco dos olhos (esclerótica) que vai crescendo em direção à menina dos olhos (pupila), causando geralmente ardor e queimação, deixando a vista incomodada quando exposta ao sol.

A tendência é que ela cresça lentamente e estacione, não havendo necessidade de cirurgia.

Essa doença atinge principalmente pessoas que trabalham em locais com muito sol, vento ou poeira.

8- FIBROPLASIA RETROLENTAL (RETINOPATIA DA PREMATURIDADE)

É uma doença causada, em nosso meio, pelo uso indiscrimado e não controlado do oxigênio em recém-natos.

Ela pode ser evitada ou tratada, desde que diagnosticada precocemente. É necessário que:

•  Previna-se a prematuridade: pré-natal adequado, pré-natal de alto risco, desaconselhando-se as cesárias eletivas (OMS).

•  O uso de O2 deve ser indicado apenas em casos de Insuficiência Respiratória (OMS).

•  Nunca administrar O2 isoladamente, usar sempre uma mistura de O2 e ar (OMS).

•  Todo recém-nato em oxigenioterapia necessita de monitorização (OMS): da concentração de O2 inspirado - mantendo abaixo de 40%; da PaO2 - manter abaixo de 100mmHg.

•  O fluxo do ar mais O2 deve ser igual ou maior que 5 l/min. quando é usada a campânula para que não se acumule CO2.

•  Todo recém-nato em assistência ventilatória necessita acompanhamento com fundoscopia (OMS). O diagnóstico e tratamento precoce da retinopatia evita a cegueira.

•  Toda criança que está sob oxigenioterapia deve receber vitamina E (OMS).

•  A retirada da oxigenioterapia deve ser progressiva e monitorizada.

•  Todo recém-nato que recebe assistência ventilatória, deve ter alta do berçário e ser encaminhado para um serviço oftalmológico, com orientação aos pais sobre a possibilidade do problema.

9- TOCOTRAUMATISMOS

Infelizmente, a grande maioria dos nossos bebês não tem assistência adequada ao nascimento. É a causa de 70% dos portadores de Paralisia Cerebral, muitos deles com deficiência visual associada.

10- RUBÉOLA CONGÊNITA

É a maior causa de surdez na infância e a quarta deficiência visual até 6 anos de idade. Parece impossível isto estar acontecendo, pois com uma única dose de vacina, teríamos evitado todo esse sofrimento.
A vacina deve ser feita em toda criança no 2º ano de vida e em toda mulher em idade fértil que não tenha tido, comprovadamente com exame específico, a doença.

•  Vacinação da criança, da adolescente e da mulher - mesmo que ele já tenha tido outros filhos.

Geralmente são os filhos mais velhos que trazem a rubéola à mãe grávida.

11- SÍFILIS CONGÊNITA

O exame específico deve ser feito de rotina, no casal, antes de toda gravidez e no primeiro e último trimestre desta. O tratamento é simples e eficaz, desde que precoce.

12- TUMORES OCULARES

Constituem-se em um grupo de lesões que podem levar a perda da visão e, às vezes, da vida.

•  Aspecto anormal de um ou ambos os olhos;

•  Desalinhamento;

•  Visão deficiente;

•  Obscurecimento da vista;

•  Leucocoria. Encaminhe esta criança a um serviço de oftalmologia.

13- ESTRABISMO

•  Devios oculares em qualquer idade.

Se o diagnóstico e tratamento adequado não for feito até 6 anos de idade teremos a anulação da visão do olho desviado.

Se houver qualquer suspeita ou dúvida dos pais, encaminhe ao oftalmologista. Este desvio pode significar uma lesão intra-ocular.

14- ACIDENTES

Oriente os pais sobre a possibilidade e a prevenção dos acidentes na infância. Criança deve ficar longe de: objetos pontiagudos e cortantes, fogo, cáusticos, fogos de artifício, produtos de limpeza, agrotóxicos e agressões físicas. Os erros de refração, que podem se iniciar nos primeiros anos de vida vão ser, junto com o estrabismo, a maior causa de deficiência visual após os 6 anos pela ambliopia que provocam. Devem ser diagnosticados e prevenidos o mais precocemente possível.

Sinais de alerta:

•  Lacrimejamento constante;

•  Olhos hiperemiados, irritados ou cefaléia após esforço visual;

•  Criança que desvia a cabeça para fixar o olhar;

•  Criança que aproxima do rosto o livro ou o caderno para desenhar ou ver gravuras, ou aperta os olhos para enxergar melhor à distância;

•  Criança que cai muito, tropeça nos móveis e objetos (pernas com equimoses múltiplas);

•  Encaminhe esta criança ao oftalmologista.

15- ANIRIDIA

•  ausência parcial ou total da íris;

•  aplasia ou hipoplasia macular;

•  alterações corneanas;

•  hipertensão ocular nas crianças maiores e em adultos jovens;

•  pesquisar tumor de Wilms a partir da primeira semana de vida através de ultrassom ocular;

•  fotofobia intensa;

•  dificuldade de movimentação em ambientes externos;

•  reduzida sensibilidade ao contraste (baixa velocidade de leitura);

•  visão noturna normal;

•  acuidade visual ao redor de 20/200 (hipoplasia macular);

•  visão de cores inicialmente normal com piora à medida que o glaucoma se desenvolve, principalmente quando há vascularização ou opacidade corneana;

•  glaucoma de difícil controle;

•  ofuscamento importante limita as atividades externas;

•  orientar iluminação dirigida para atividades visuais;

•  usar filtros cinzas;

•  magnificação da imagem é bem aceita;

•  usar letras grandes para leitura;

•  lápis preto forte;

•  lentes de contacto cosméticas.

16- AFACIA BINOCULAR

•  ausência cirúrgica total do cristalino;

•  alterações corneanas podem existir por trauma cirúrgico;

•  hipertensão ocular nas crianças operadas de catarata congênita e em adultos idosos;

•  fotofobia intensa;

•  dificuldade de movimentação em ambientes externos devido à baixa noção de profundidade (óculos acima de + 12,00);

•  reduzida sensibilidade ao contraste (baixa velocidade de leitura);

•  visão noturna normal;

•  acuidade visual ao redor de 20/200 (quando coexistir degeneração senil de mácula);

•  visão de cores inicialmente normal que pode piorar com o desenvolvimento do glaucoma;

•  glaucoma por catarata congênita é de difícil controle.

17- COLOBOMA (DE ÍRIS, DE CORÓIDE E DE PAPILA)

•  acuidade visual reduzida quando envolver a papila (20/200 ou menor);

•  em geral existe defeito no campo visual superior;

•  fotofobia ocasional;

• comumente associados a microftalmia, anormalidades de face e cabeça, retardamento mental e polidactilia;

•  necessitam iluminação dirigida;

•  lentes de contato cosméticas.

18- OPACIDADES CORNEANAS

•  Quadro clínico variável de uma irregularidade superficial até uma cicatriz causada por infecção ou trauma;

•  Baixa de acuidade visual para longe e perto, dependendo do envolvimento corneano e do nível de iluminação;

•  Ofuscamento comum;

•  Fotofobia;

•  Redução na sensibilidade ao contraste;

•  Em geral, não existe alteração no campo visual;

•  Muitas distrofias são progressivas;

•  Há perda do contraste e baixa de visão em ambientes externos com luz solar forte;

•  São pacientes que aceitam bem livros falados, bengala, guia vidente;

•  Usam com facilidade canetas hidrocor preta em papel branco;

•  Aceitam bem lentes absortivas.

19- HEMIANOPSIAS HOMÔNIMAS

•  O campo visual central pode ser normal quando as fibras da mácula não são afetadas;

•  Pacientes referem-se à sensação de que um dos olhos está com a visão borrada;

•  Referem esbarrar em objetos;

•  Não são percebidas em pacientes usuários de cadeiras de rodas até que recuperem a capacidade motora;

•  Quando a hemianopsia homônima é direita os pacientes referem que durante a leitura, ao atingirem o meio da página, não conseguem continuar até o final da linha. O quadro é mais grave quando o paciente apresenta dominância cerebral esquerda. Há melhora na capacidade de leitura quando se recomenda que o paciente mantenha o dedo indicador sobre as letras visualizadas;

•  Respondem bem ao uso de lentes prismáticas com a base dirigida para o campo lesado (base direita para hemianopsia direita) – máximo de 10 prismas;

•  Espelhos colados nas armações de metal também poderão trazer benefícios quando posicionados monocularmente;

•  Reagem mal a treinamentos de orientação e mobilidade, principalmente quando a mácula estiver em boas condições.

20- CERATOCONE

•  Ocorre em pacientes jovens;

•  Etiologia desconhecida;

•  Usualmente bilateral freqüentemente assimétrica;

•  Astigmatismo miópico irregular, afinamento da córnea, edema, roturas das camadas internas da córnea (opacidade);

•  Nas fases iniciais, respondem bem ao uso de lentes de contato rígidas. Evoluem para o transplante de córnea;

•  Os sintomas são de borramento da visão, distorção da imagem (objetos estão alongados), a luz artificial tem aspecto de “pôr do sol”, com os raios provocando ofuscamento;

•  Pode existir diplopia monocular;

•  Em geral, não existe alteração no campo visual;

•  Pode ocorrer em associação a aniridia, fibroplasia retrolental, síndrome de Down, síndrome de Marfan, doenças oculares alérgicas com prurido intenso;

•  Os pacientes devem ser orientados quanto a traumas inadvertidos de córnea, como esportes violentos, mergulho ou salto de pára-quedas, natação em locais com água muito clorada, uso abusivo de lentes de contato;

•  Em geral, existe ofuscamento.

21- DOENÇA MACULAR

•  Principal causa de visão subnormal em todo o mundo;

• As causas podem variar em degenerativas, inflamatórias, tóxicas, vasculares e distróficas;

•  Perda de detalhes na visão para longe;

•  Dificuldade para ler;

•  Ofuscamento;

•  Diminuição ou perda da visão de cores (atenção aos sinais de trânsito!);

•  Distorção de imagem nas fases iniciais;

•  Quando existe lesão foveolar completa, a acuidade visual gira ao redor de 20/200;

•  A acuidade visual final será sempre proporcional ao tamanho, densidade e localização do escotoma;

•  As causas mais freqüentes no idoso:

- Degeneração (atrofia) macular senil;

- Descolamento disciforme da mácula (seroso ou hemorrágico).

•  No jovem :

- Doença de Stargardt;

- Distrofia coroideana central areolar;

- Drusas dominantes.

As três doenças maculares mais comuns:

21.1- DEGENERAÇÃO DISCIFORME DA MÁCULA

Nos estágios iniciais da doença, ocorre apenas o descolamento seroso do epitélio pigmentar sem grandes alterações na acuidade visual, com exceção de mudança da forma da imagem (metamorfopsia).

À medida que a doença evolue, surgem novos e frágeis vasos sangüíneos abaixo e dentro do epitélio pigmentar. Estes sangram e formam cicatrizes. Nesta fase, se o campo visual demonstrar um escotoma de 10 graus, o paciente apresenta muito baixa acuidade visual.

Quando, na fase de neovascularização, é realizada a fotocoagulação a laser, o prognóstico visual é melhor. Quando isso não ocorre, a acuidade visual pode chegar de 20/800 a 20/280. O uso de filtros reduz o ofuscamento e melhora o contraste.

21.2 - DOENÇA DE STARGARDT

É uma distrofia que se inicia em adolescentes ou ao redor dos 20 anos de idade.

O aspecto fundoscópico característico é típico com a fóvea com aspecto ovalado em bronze batido com uma área circular parafoveal com manchas esbranquiçadas (também chamado de flavimaculatus - provavelmente uma mesma manifestação da mesma doença).

A acuidade visual diminui progressivamente e freqüentemente permanece em 20/200. A queixa maior consiste no grande escotoma circular de fixação que impede a leitura.

O eletroretinograma é normal e o potencial evocado visual é anormal. É doença autossômica recessiva.

21.3- DEGENERAÇÃO SENIL DA MÁCULA OU DEGENERAÇÃO MACULAR RELACIONADA À IDADE (DMRI)

A degeneração macular relacionada à idade (ou senil) é a lesão ou esgotamento da mácula do olho, que é uma área do fundo do olho que permite enxergar claramente pequenos detalhes. A DMRI é a maior causa de perda de visão central em ambos os olhos, após os 50 anos de idade.

No entanto, as mulheres e os fumantes correm maior risco de contrair a doença, assim como pessoas com histórico familiar de DMRI e pacientes com níveis elevados de colesterol.

Nas fases iniciais da doença, não há sintoma algum: as alterações senis na retina podem co-existir com uma boa acuidade visual. A perda visual só ocorre nas fases mais avançadas da doença. Com o progredir da degeneração macular senil, começa a haver diminuição da visão central, afetando tanto a visão de longe quanto a de perto. Os sintomas mais comuns são:

•  visão levemente borrada;

•  necessidade de mais luz para ler ou realizar outras tarefas;

•  dificuldade para reconhecer pessoas, ler, dirigir e realizar tarefas como colocar linha em agulha;

•  aparecimento de uma mancha escura no centro do campo de visão. correr distorçãmagens ou aparecimento de uma mancha na visão.

22 - NISTAGMO

•  É o movimento rítmico, oscilatório, involuntário de um ou dos dois olhos.

•  É um sinal neuro-ocular de desordem ou do sistema visual-sensorial ou do sistema óculo-motor. Não é um diagnóstico.

•  Se a etiologia da doença está no sistema visual-sensorial, o nistagmo será pendular com oscilações iguais. A causa é devida à perda da visão bilateral, seja congênita, seja adquirida nos primeiros 3 anos de vida.

•  Qualquer defeito na transmissão da imagem, seja por uma opacidade corneana, catarata, corioretinite, desordens dos fotorreceptores ou atrofia óptica, provoca o nistagmo. Se a etiologia não for evidente, deve-se proceder à fundoscopia e/ou eletroretinografia.

•  Se a etiologia da doença estiver no sistema óculo-motor, o nistagmo é do tipo em “solavancos”, com componentes rápidos e lentos. Freqüentemente, é adquirida, embora exista uma grande variedade congênita reduzindo a visão para 20/40 ou 20/60.

•  A variedade adquirida pode ser causada por desordem nas vias ópticas, cerebelo ou ouvido interno.

•  A causa pode ser estabelecida pela presença de outros sintomas neuro-oftalmológicos e com testes neuro-otológicos.

•  O tratamento é dirigido para a causa.

•  O nistagmo é freqüentemente assintomático.

•  A visão pode ser melhorada através do exame do óculos.

•  Torções de cabeça podem promover melhora na visão.

•  O uso de prismas pode melhorar a visão.

23 - ATROFIA ÓPTICA

•  Diminuição da acuidade visual.

•  Diminuição na percepção de cores.

•  Diminuição na sensibilidade luminosa.

•  Reflexo pupilar à luz reduzido ou abolido.

•  São causas: hereditariedade, isquemia, toxicidade, inflamação e trauma.

•  Outras causas: retinose pigmentar, degeneração de cones da mácula, amaurose congênita de Leber.

•  Escotoma central e depressão no campo periférico.

•  Acuidade visual entre 20/60 e 20/200.

24- RETINOSE PIGMENTAR

•  Mais de 12 tipos diferentes são identificados.

•  Caracteriza-se por alteração na camada pigmentar da retina.

•  Ocorre também degeneração de cones, bastonetes, e outras camadas da retina.

•  Perda da visão periférica.

•  Cegueira noturna.

•  Trata-se de uma distrofia de cones e bastonetes.

•  Inicia-se na infância.

•  Há ofuscamento quando associada à catarata.

•  Um número significativo de pacientes apresenta surdez.

Aproximadamente 50 doenças se associam sendo as mais comuns:

•  Síndrome de Usher;

• Síndrome de Bassen-Kornzweig: alterações sangüíneas, intolerância gordurosa, alterações nos níveis sangüíneos de vitaminas;

•  Esfingolipidose cerebral (doença de Tay-Sachs);

•  Laurence-Moon-Biedl síndrome – obesidade, polidactilia, surdez, retardamento mental, hipogonadismo.

O prognóstico é ruim – deve-se preparar o paciente para perda total da visão.

•  orientar visão noturna;

•  promover aumento na iluminação;

•  uso de filtros UV;

•  auxílios não-ópticos;

•  promover o uso de bengala;

•  aconselhamento genético;

•  recursos não-visuais.

25- ACROMATOPSIA

•  Também chamada de monocromatismo, consiste na ausência ou na anormalidade dos cones retinianos.

•  Fotofobia que diminui com a idade.

•  Redução da acuidade visual em ambientes muito iluminados.

•  Eletroretinograma fotópico ausente.

•  Protanopsia – dificuldade para enxergar a cor vermelha.

•  Deuteranopsia – dificuldade para enxergar a cor verde.

•  Tritanopsia – dificuldade para enxergar a cor azul.

•  Monocromatismo – enxerga uma única cor e alguns sinais de cor quando sob iluminação intensa.

•  Não há defeito de campo visual.

•  Pode ser necessário o uso de telelupas.

•  Acuidade visual média 20/200.

26- SUBLUXAÇÃO DO CRISTALINO

•  São as síndromes de Marfan, Marchesani, Ectopia lentis.

•  O cristalino encontra-se posicionado de forma inadequada.

•  Pode estar associado a outras anormalidades músculo-esqueléticas, cardiovasculares, pulmonares ou genito-urinárias.

•  A luxação, em geral, é no sentido temporal.

•  O olho fica miopizado, em geral.

•  Quando o cristalino está muito luxado, o paciente tem o mesmo sintoma do afácico.

•  Não existe defeito de campo visual.

•  Pode estar associado a glaucoma e uveíte.

•  A cirurgia, em geral, é complicada.

•  Necessita de iluminação maior.

•  Acuidade visual 20/200.

•  Pode existir alteração postural para posicionar o cristalino na posição adequada.

27- RETINOPATIAS VASCULARES

•  Em geral, consistem em hemorragias, isquemias, exsudações ou oclusões vasculares secundárias a doenças sistêmicas (diabetes, anemia falciforme, hipertensão arterial, etc);

•  O paciente apresenta queixa somente quando a visão central mostra-se comprometida;

•  A visão pode ser borrada ou com falha no campo visual;

•  Acuidade visual varia desde normal até cegueira completa;

•  Quadro, em geral, evolutivo;

•  São pacientes que devem receber treinamento desde que diagnosticada a doença.

 

Fontes:

http://www.holhos.com.br/ - Hospital de Olhos de Minas Gerais
http://www.drvisao.com.br/ - Portal Online de Oftalmologia
http://www.embratel.com.br/ - Página sobre saúde dedicada aos cuidados com a visão
http://intervox.nce.ufrj.br/~cerejo/cslv.html/ - Página pessoal de Glauco Cereja
http://www.saudevidaonline.com.br/visao.htm - Revista eletrônica Saúde e Vida Online desenvolvida pelo Núcleo de Informática Biomédica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
http://www.alcon.com.br/ - Página dos Laboratórios Alcon

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