Depoimento
de Rodrigo Aparecido Galhardi
"Quando nos referimos à pessoa
deficiente, a primeira coisa que temos que ter em mente é que
esta não está sujeita apenas a sua limitação
física, mental ou sensorial, mas a uma série
de limitações impostas pela sociedade, que
nos pune, na maioria das vezes, por ignorância, de
desempenharmos as funções inerentes a qualquer
cidadão comum: estudo, trabalho, lazer... Perdi a
visão com 8 anos de idade, já na metade do
segundo ano do ensino fundamental, decorrente de um acidente
doméstico. Brincava com meus primos e numa queda bati
levemente a cabeça no chão, o que favoreceu
o deslocamento de retina, me tornando então, deficiente
visual total. Eu, deficiente, tive que reaprender a viver
num mundo de pessoas ”normais”, onde tudo é mais difícil
para quem tem alguma limitação. Tais dificuldades,
compreendidas desde barreiras arquitetônicas até a
mais atravancadora para o desenvolvimento do deficiente,
o conceito prévio feito sobre a incapacidade de executar
atividades do dia-dia. No entanto, fortalecido pelo apoio
e incentivo da minha família, meus amigos e a AADV,
lutei contra as hostilidades da vida, seja em relação
aos estudos, ao trabalho, ao lazer... O próprio concurso
para Câmara Municipal de Poços de Caldas foi
um teste de paciência e resistência, pois tive
que esperar durante três anos e meio, porém
a nomeação veio e fico satisfeito por conseguir
desempenhar minhas funções em igualdade com
meus colegas, que me apoio em são apoiados em nossas
dificuldades. Sou respeitado como se não fosse deficiente,
o que deveria ser uma constante na vida de todos os cidadãos.
Outra conquista importante foi a entrada para a faculdade,
curso de administração, quando tive a grata
supresa de Ter sido o primeiro colocado no vestibular. Continuo
cursando com dedicação e sucesso o curso que
escolhi. Enfim, dentre algumas atividades da vida social,
de direito comum a todos, porém limitadas por desconhecimento
de algumas pessoas, são estas que norteam minha vida
e me fazem digno de minhas conquistas e superações.
Atividades que visam refletir sobre a pessoa deficiente são
sempre importantes para que os caminhos não sejam
fechados, mas ampliados, a fim de proporcionar ao deficiente
tudo àquilo que qualquer um tem direito. Somos cidadãos
de direitos e deveres a serem obedecidos e cumpridos, porém
nos punem das oportunidades."
Depoimento postado em 06/09/2007
