ESTIMULAÇÃO PARA A ALFABETIZAÇÃO
por Elizângela Leite Silva
Antes
de começar a falar sobre a alfabetização
em si, é necessário rever um conceito estipulado
ao senso-comum: o de que quando uma professora recebe um aluno
especial em sua sala de aula, o aluno se torna exclusivamente
dela, cabendo a ela correr atrás de tudo o que possa
trabalhar com ele, e assim, desenvolver melhor o potencial
do aluno. Isso tudo, sabendo que a professora, além
do aluno deficiente, tem mais uns 24 em sala de aula sob sua
responsabilidade. Isto não pode acontecer, visto que,
para fazer com que a escola seja realmente inclusiva, ela como
um todo tem que abraçar a causa. Além da professora,
todas as pessoas que terão contato com o aluno deficiente,
devem aprender a recebê-lo, desde a direção
e coordenação da escola, até a área
administrativa (limpeza, cozinha). Esse processo envolve estudos
para encontrar a melhor forma de realmente fazer incluir este
aluno na escola. É preciso oferecer um ambiente aconchegante
e acolhedor para este aluno, pois ele sempre irá necessitar
de segurança para poder se desenvolver de forma tranqüila.
Aqui entra em questão:
Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação
especial na perspectiva da educação inclusiva,
disponibilizar as funções de instrutor, tradutor/intérprete
de Libras e guia intérprete, bem como de monitor ou
cuidador aos alunos com necessidade de apoio nas atividades
de higiene, alimentação, locomoção,
entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano
escolar. (MEC/SEESP:2008,17).
Portanto, a lei é clara e evidencia que o cuidador é apenas
para atividades de higiene, alimentação e locomoção,
não sendo um auxiliador pedagógico, e não
compete a ele a realização das tarefas para o
aluno em sala de aula. Agindo desta forma, a escola formará um
aluno inseguro, dependente e retraído.
Falando em alfabetização...
Crianças com DVT ou BV devem ser estimuladas desde cedo,
no que diz respeito à exploração do sistema
de aprendizagem sensorial, auditiva, motora, tátil-cinestésica
e por meio da imitação.
Detalhando um pouco sobre estes tipos de aprendizagem:
Aprendizagem sensorial: informação chega pelos
sentidos e deve ser recebida, interpretada, codificada e armazenada
para futura utilização, o que resulta na discriminação
e reconhecimento da informação.
Aprendizagem auditiva: se realiza, a princípio, de forma
inconsciente. Os sons são ouvidos atentamente e classificados;
após esse processo, ocorre de forma consciente, sendo
que a informação é discriminada e selecionada.
Aprendizagem motora: o momento permite o relacionamento do
corpo no espaço, com os objetos e as pessoas. E é através
do movimento que a criança pode ir tomando consciência
do mundo que a rodeia.
Aprendizagem tátil-cinestésica: à medida
que a criança manipula, pressiona, observa e levanta
diferentes objetos, ela começa a conhecer o objeto (peso,
tamanho, espessura, textura, volume, massa).
O uso de todos os sistemas sensoriais na máxima capacidade
ajuda a criança a atingir o seu mais alto potencial
de aprendizagem e desenvolvimento. (MARTIN, BUENO: 2003)
Aprendizagem por imitação: a atenção
deve ser dirigida, sobretudo, aos traços característicos
da conduta a ser observada e a codificação é realizada
por meio de sistema verbal e sistema de representação
da imagem perceptiva.