
MASSOTERAPIA
por ANTÔNIO CARLOS DAMÁSIO
Fiquei cego em 2004, com 61 anos de idade,
devido a falta de cuidados com a diabete; portanto, por livre
arbítrio.
A cegueira total, no meu caso, foi um ganho, por ter me aproximado
de Deus. Não tenho mais gula, nem mais malícia...
Conheci a AADV e aprendi a andar naturalmente, um lugar onde todo
mundo, mesmo com suas limitações, é feliz.
Afinal, dentro de um corpo cego tem uma alma.
A PUC/Poços (Pontifícia Universidade Católica)
veio aliar a sensibilidade do cego à técnicas de
massagens, promovendo, em parceria com a AADV , o curso de massoterapia.
Assim, além de parceira tem oportunizado também o
trabalho para os deficientes visuais.
Graças a esse curso tornei-me um massoterapeuta e atualmente
trabalho, com carteira assinada, na Associação Atlética
Caldense, onde faço uma média de trinta massagens
por semana, com duração mínima de quarenta
e cinco minutos cada.
A massagem que realizo possibilita o relaxamento total da pessoa,
pois começa pelas faces, segue para os membros superiores,
inferiores, abdomem, gastroequimênio (panturrilha) e pés.
Iniciei meu trabalho a partir do oferecimento de duas vagas para
massoterapeutas, sendo que dava-se preferência aos deficientes
visuais. Após preenchimento de ficha, apresentação
de diploma e entrevista, fui contratado.
Recentemente participei como palestrante do Encontro sobre Acessibilidade
ao Mercado de Trabalho , promovido pela PUC/Poços, onde
discorri sobre meu trabalho e minha vida antes e após a
perca da visão. Neste encontro estiveram presentes o profº Gerson,
profº Alexandre, profª Maria Teresa Cristina, personagens
da PUC/BH, dentre outros.
Tenho formação acadêmica em Economia (FAE/São
João da Boa Vista) e pude trabalhar na Perfumaria Flores,
Cerâmica Togni, Damásio Pneus, Telebingão Campeão.
Nem sempre as pessoas tem o mesmo sucesso. A política pública
brasileira contribui para isto, visto não permitir que a
pessoa deficiente visual trabalhe e ainda permaneça recebendo
o benefício por deficiência.